OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


15.6.07  

Aerolisboa

Lamento, mas além de achar a solução Ota patética e as motivações de Alcochete duvidosas, não percebo o entusiasmo com a solução Portela+1. Não percebo como se pode defender um aeroporto na cidade e uma cidade sobrevoada diariamente por dezenas de aviões em aterragem e descolagem. Os defensores desta "solução" que venham passar um dia numa faculdade - ou num hospital - da cidade universitária para testemunharem o barulho e a sensação de que um dia um avião pode cair, justamente naqueles que são os momentos mais perigosos dos voos.

Há muito que Lisboa deveria ter um aeroporto fora da cidade. Mas nem a Ota nem Alcochete contemplam com clareza o óbvio: esse aeroporto deve ser servido por uma linha de metro ou de comboio, permitindo chegar ao aeroporto em 20 minutos, evitando o uso de carros (e táxis!) e não prejudicando muito as tão faladas "vantagens" turísticas de ter um aeroporto na cidade. A obsessão com a Ota por parte do governo já começava a raiar o ridículo - e o trágico. Mas a proposta da CIP para Alcochete padece do pior problema de todos: não se sabe quem a encomendou. Soa a golpe político por todos os lados. Entre a birra do governo e o secretismo da CIP (e do governo também? E de Cavaco?), continuamos com um aeroporto em plena cidade e com hipóteses de novo aeroporto que dependem de carros e autoestradas. Alguém está, definitivamente, a brincar connosco.

Ao mesmo tempo que, ali para Poceirão/Faia etc, há terrenos planos, uma linha de comboio suburbana ao lado, a auto-estrada que liga Lisboa a Espanha e a passagem prevista do TGV. A elite deste país adora tornar o simples em complicado. Pudera: é nesse movimento irracional que se geram os maiores lucros...

mva | 09:33|