4.7.06
Como amestrar "um macho ibérico"
Leia-se o Público, o DN e o JN de hoje sobre o julgamento dos menores que mataram (achamos nós, o ministério público obviamente não...)a transexual Gisberta. O que nos chega do tribunal é isto: numas coisas os rapazes são absolutamente inconscientes (logo "inocentes") - tudo terá sido "brincadeira", "divertimento"; noutras são absolutamente conscientes - portam-se bem no tribunal, percebem a estratégia da defesa e seguem-na, etc. Uma contradição destas só se resolve migrando a culpa para o exterior dos agentes. Estamos a dois passos de ouvir dizer que a transexualidade de Gisberta foi o que instigou o comportamento dos rapazes. Como há anos a forma de vestir da mulher violada pelo prototípico "macho ibérico" a que o juiz de então se referia. A referida "sensibilidade" do tribunal não se reporta a Gisberta, mas aos rapazes; e os apelos europeus ao rigor e determinação neste caso são vistos como "pressão". A masculinidade agressiva dos rapazes é também uma questão de identidade e indepedência nacionais.
Gisberta foi morta e humilhada e profanada. E os rapazes deste país ficarão autorizados a construir as suas masculinidades na base da humilhação de tudo o que não seja "masculino". Se pelo caminho acontecerem tragédias, a sociedade acha esse preço perfeitamente justo.
mva |
11:14| 
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