OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


2.5.06  









No human being is illegal

Os números variam: dos 300.000 ao meio milhão. Seja como for, a marcha dos imigrantes ontem foi gigante. O 1º de Maio não é feriado nos EUA, pelo que a maioria dos manifestantes terá faltado ao trabalho, correndo riscos, se se pensar na quase completa ausência de direitos laborais. Em Chicago, a esmagadora maioria dos manifestantes era mexicana. Nos dias anteriores tinha ficado surpreendido com a aparente simpatia das TVs: anunciavam coberturas intensivas da manif e a linguagem era positiva. Na manifestação percebeu-se porquê: o discurso é de integração, de legalização, de apelo à narrativa americana do "país de imigrantes". Uma estratégia inteligente, positiva e - espera-se - eficaz. Não pude deixar de pensar na demanda pelo casamento. Diferenças à parte, ambas as lutas recuperam o espírito das lutas pelos direitos civis e, embora estabeleçam uma ruptura com o status quo, fazem-no através do idioma da integração. Por isso "Deus" aparecia nalguns cartazes; por isso lá estavam uns padres com um pendão com a padroeira do México; por isso havia um grupo "Muslims for the American Dream" - lado a lado com sindicatos, trabalhistas e mesmo grupúsculos revolucionários. Uma manifestação popular, a que não faltaram umas senhoras brancas mais burguesas assistindo e empungando cartazes dizendo "Thanks! Gracias!".

mva | 14:46|