1.2.06
À saída da Conservatória
Foi um grande dia à porta (e dentro) da Conservatória. Teresa e Lena inauguraram uma nova vertente na luta pela igualdade de direitos civis neste país. O facto de o conservador ter reservado uma resposta para amanhã, por escrito e depois de procurar fundamentos, é como que um sinal contra a liminaridade da recusa. Isto é, o assunto, mesmo para uma conservatória, é discutível.
Ao mesmo tempo, o Bloco apresentou um projecto-lei para a alteração do código civil de modo a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E a JS está à beira de fazer o mesmo. Desejável seria que o PS o fizesse também, bem como o PCP (e porque não o supostamente liberal PSD?).
No dia 16, a Associação Ilga-Portugal entregará à AR a petição iniciada há meses, com um número de assinaturas largamente superior às 4000 necessárias. Esta será obrigatoriamente discutida pela AR.
Não concordo com o timing do Bloco, e preocupa-me o efeito negativo que possa vir a ter sobre o impacte público e mediático da petição. Mas, curiosamente, isto demonstra como o tempo e o interesse (uso, em todos os caso, a expressão no seu sentido neutro) de um partido são diferentes do tempo e do interesse do movimento lgbt, por sua vez diferente do tempo e interesse de pessoas concretas como a Teresa e a Lena. Não houve nenhuma coordenação entre o casal de lésbicas e o movimento, como não houve nenhuma coordenação entre o movimento e o Bloco (ou a JS. Bem pelo contrário...). Isto pode ser, afinal, bom sinal: significa que há várias velocidades, significa que a causa se espalhou pela sociedade, significa que não colam mais as exigências de "manifestação da sociedade civil" para que o Estado português faça alguma coisa. Espero apenas que tantas lógicas separadas contribuam para a vitória e não para uma colecção de estratégias perdedoras.
O caso da Teresa e da Lena prosseguirá os seus trâmites legais. O movimento lgbt prosseguirá a sua luta pela alteração legislativa e com certeza apoiará todas as Teresas e Lenas que surgirem. Compete agora aos políticos agirem. Compete - mais do que tudo e mais do que a (minha) crítica ao Bloco - ao PS. Não é afinal este partido que detem a maioria absoluta e governa o país?
mva |
16:32| 
|