17.2.06
Desculpem lá...
...mas afinal de contas é aceitável que a PJ entre por um jornal adentro, mande os jornalistas tirar os dedos dos teclados, e leve os computadores, em nome da investigação sobre as escutas telefónicas? Os culpados agora são os mensageiros, mesmo dando pelo nome de 24 Horas? O Eduardo chamou a atenção para isto. A irresponsabilidade (para não dizer pior) do 24 Horas neste caso deve ser denunciada e os tribunais devem obrigá-lo a compensar os eventuais queixosos. Mas não foi isso que a PJ foi lá fazer. Andamos a defender a inadmissibilidade de um governo - o da Dinamarca - interferir com a liberdade de imprensa dum jornal e cá deixamos isto acontecer?
...mas afinal de contas é aceitável que nada se faça (a não ser aquelas declarações pífias a que os governos socialistas portugueses nos habituaram) quando o embaixador do Irão diz, na sequência de elogios ao nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, que duvida da ocorrência do Holocausto? A Esther Mucznik, com quem não concordo em n coisas, chamou a atenção para isto hoje, como eu o tinha feito há dias: é que ele pode ser declarado persona non grata; é que ele é funcionário político de um país com quem temos relações diplomáticas; e as relações diplomáticas são feitas também de tomadas de posição sobre os limites que se acham inultrapassáveis (será preciso repetir que o Holocausto é sobre pessoas, vítimas de um genocídio? Parece que sim). Não é a liberdade de expressão do embaixador que é posta em causa (não se aplica: ele é embaixador), mas sim a aceitabilidade da sua opinião na construção duma relação diplomática aqui e agora.
mva |
16:19| 
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