2.11.05
A cultura não é uma coisa.
Citando um texto de 1936 do antropólogo Ralph Linton, Marshall Sahlins (um dos meus antropólogos vivos favoritos) diz o seguinte em "What is Anthropological Enlightenment?..." de 1999 (disponível aqui via b-on):
«After breakfast our good man settles down to read the news of the day "imprinted in characters invented by the ancient Semites upon a material invented in China by a process invented in Germany. As he absorbs the accounts of foreign troubles he will, if he is a good conservative citizen, thank a Hebrew deity in an Indo-European tongue that he is 100 percent American" (Linton R. 1936. The Study of Man. New York: Appleton-Century, p 329)
Uma adaptação para português poderia dar nisto:
Durante o pequeno-almoço no café (produto oriundo das regiões tropicais) o nosso homem lê as notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, sobre um material inventado na China, e através dum processo inventado na Alemanha. À medida que vai lendo os relatos de atrocidades em paragens remotas, e se for um homem conservador, vai - através duma língua indo-europeia trazida pelos colonizadores romanos - dando graças a uma divindade hebraica pelo facto de viver neste cantinho à beira-mar plantado onde, outrora, viviam muçulmanos que ainda não sabiam o que era o fundamentalismo.
mva |
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