OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


11.10.05  

Bússola.

Sete Rios. Peço a um táxi para parar. Sem me deixar entrar, o taxista pergunta: "Para onde é que vai? É que eu vou jantar e vou para baixo". Resolvo responder com uma pergunta: "E onde é, para baixo?"; ao que ele responde, normalíssimo: "Para Benfica".

"Culturas" há, como a estado-unidense, em que se usa os pontos cardeais para referir direcções. Mas na maior parte funciona-se com metáforas, sendo das mais comuns "cima" e "baixo". Claro que podem corresponder a noções de altitude, se o território for montanhoso, ou a noções de importância social dos lugares. Mas é comum que sejam metáforas para Sul e Norte. Pensava eu que em Lisboa deveria ser assim, até pelo facto de o rio, a sul, definir um ponto de referência importante. Em suma, Benfica é para cima - e isso bate certo com ser a norte - da Baixa e, lógico, de Sete Rios. Mas se alguém (um taxista, por exemplo...) achar que, de cada vez que pega no táxi à porta da sua casa em Benfica para ir trabalhar, está a ir para cima, a subir, e que, quando regressa a casa, está a ir para baixo, para onde todos os santos ajudam?

mva | 18:49|