OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


19.9.05  

(+) e (-).

Apetecia-me dizer bem de alguma coisa... Resgatar algum optimismo sobre o que se passa na nossa sociedade. E até é possível fazê-lo, claro. Por exemplo: ontem fui a um espectáculo da Bomba Suicida, no espaço que antigamente era o Diário Popular. O espectáculo foi fracote - e, curiosamente, não muito diferente dos improvisos underground que já se faziam nos eighties, pelo menos na faculdade onde andei. O que até nem é necessariamente mau sinal - além de mudanças, precisamos de algumas continuidades. Mas interessante mesmo é o facto de haver aquele espaço, onde vários grupos culturais alternativos podem desenvolver actividades fora do cânone (embora o espectáculo tivesse começado com uma queixa sobre a política cultural do Ministério...). Seja como for: em ambientes como aquele, ou nas ruas do Bairro Alto, cada vez se vê mais gente "solta", arejada e bricoleuse. E é sempre um prazer ver raparigas e jovens mulheres que não sentem que têm de andar com os braços cruzados e uma malinha ao ombro. A mesma sensação de transformação tive-a quando analisei curriculos de candidatos a um curso. Embora a amostra fosse enviesada, a verdade é que já se vê muita gente jovem envolvida em projectos voluntários, fazendo muitos cursos práticos, viajando bastante e construindo os seus projectos de vida para lá do mainstream. E disposta a inflectir o rumo da vida.

Pronto, já "disse bem". Agora, ao que interessa (!). Adorei a performance televisiva de Carmona Rodrigues e Carrilho. Carrilho confirma o seu terível carácter público; e Carmona vai revelando a sua engenharia, digamos. A soberba da elite cultural tuga choca com a pespinetice (?) da pequena tecnocracia local. A verdade é que perderam os dois: o que recusou cumprimentar o adversário à saída e o que reagiu apelidando-o de "grande ordinário". Continuem assim, afundando-se na poítica da birra, que nos fazem um favor.

mva | 17:19|