13.9.05
Dos fascistas que por aí andam e do que fazer com eles.
(Aviso: nada do que vou dizer é com certeza absoluta. É mais aquilo que costuma chamar-se uma sensibilidade)
Há uns meses atrás, a rede constituída pelo PNR, a FN e as franjas skin, etc., promoveu uma manifestação a propósito do (in)famoso "arrastão". Os media chamaram-lhe um figo e as autoridades ficaram caladinhas. Até hoje não fizeram nada. Vivem no remanso do "pensamento literal": como os fascistas não usam a palavra "fascista" não são fascistas aos olhos da lei que não permite grupos fascistas (uff!)
Reconheço que não é fácil solucionar isto. Não se pode avançar para uma interpretação livre das intenções dos outros. Mas há limites, que são os da defesa da dignidade da democracia. No mínimo. Como cidadão, gostaria de saber se as polícias competentes investigam as actividades desta gente. Sei que o fazem para certos grupos de skins. Porquê? Porque têm indícios de promoção de ideários de ódio e contra a constitucionalidade democrática. Ora, esses indícios são às resmas nos sites ligados/associados ao PNR e FN; são praticamente óbvios no próprio processo de formação desses grupos; são escandalosamente evidentes nas pertenças e frequências dos seus elementos (entre o "partido", a "frente" e bandos de skins e quejandos). Onde está então a investigação? E as ilações a tirar dela?
As mesmas pessoas e grupos que organizaram aquela manifestação, vão organizar outra, claramente homofóbica. E daqui a uns tempos hão-de fazer uma contra as mulheres que abortam, contra os judeus, contra... O Estado, esse, fica calado e quieto. Pelo caminho, sectores mais radicalizados à esquerda - e acredito que sem querer - deixam-se levar por uma lógica perversa que consiste em necessitar dos inimigos e das suas acções para os poderem combater. Pessoalmente, não me agrada (embora não me revolte contra isso ou ache que é errado em absoluto). Mas quero que o Estado investigue e vigie (sim, não sou contra um Estado democrático vigilante), sobretudo manifestações onde os participantes perdem a auto-censura e insultam e ameaçam mesmo (sem artimanhas retóricas) pessoas e grupos que a Constituição proíbe que sejam discriminados. Nas manifs é fácil identificar o incitamento ao ódio, senhores da PJ e do SIS.
Uma coisa o Estado democrático tem pelo menos obrigação de compreender (e por maioria de razão um governo socialista, caramba!): que em situação de crise económica e de acelerada, intensa e extensa mudança social, as pessoas mais desprovidas de sentido crítico aderem mais facilmente a discursos extremistas que usam velhos bodes expiatórios, preconceitos e medos. Há de facto receio de que a extrema-direita possa crescer. Mas tenhamos muito cuidado no modo como contrariamos esse possível crescimento: não resultará mais (nesta fase) a pedagogia do Estado que aponte os fascistas como uma ameaça intolerável, do que um confronto que muita gente entenderia como "uma disputa lá entre eles" (os "pretos" e os racistas, os "paneleiros" e os homofóbicos)?
PS: Se forem os fascistas a tomar em mãos a tarefa de atacar as exigências de igualdade (casamento, adopção, etc), tenho esperança que muita gente perceba que o problema é mais com eles (os fascistas) do que com as exigências de igualdade.
mva |
19:26| 
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