29.9.05
De aborto em aborto.
Participei activamente na última campanha (durante o último governo PSD-PP) pela convocação dum novo referendo sobre a IVG. Parecia-me então que essa era a melhor estratégia para trazer o assunto à praça pública e a única com eficácia política durante o reinado da direita. Hoje inclino-me mais para defender a tese da alteração legislativa no Parlamento pela maioria de esquerda. Percebo que PS e Bloco tenham que manter a coerência nas suas posições, sobretudo o primeiro, que prometeu novo referendo na campanha eleitoral. Mas será que a manteve em tantas outras áreas, começando pelos impostos? É também certo que a direita aproveitaria, mais tarde ou mais cedo, uma alteração legislativa no Parlamento para exigir um novo referendo. Espero que o PS e o Bloco estejam seguros de que a estratégia do referendo corresponde a uma noção de que as pessoas votarão maioritariamente pela despenalização - conseguindo-se assim sanar o impasse do outro referendo, não vinculativo pela fraca afluência às urnas. Mas lá que é frustrante é: ver uma maioria absoluta de esquerda não alterar duma vez por todas esta maldita lei e, ainda por cima, ter de aturar as hesitações presidenciais. Espero que tudo isto não prolongue este penoso andar de aborto em aborto da despenalização.
mva |
13:41| 
|