OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


16.8.05  

Portugal Telecome.

A Joana Amaral Dias comenta hoje os comentários à sua (e de Vital Moreira, e minha, e...) referência ao número de familiares de membros das elites políticas que trabalham na PT. Convem dizer que o meu interesse na questão tem a ver mais com uma constatação sociológica do que com uma "denúncia" de nepotismo. E a constatação é esta: num país pequeno, com uma gigantesca empresa pública/privada como a PT, em situação de quase monopólio, o facto de haver aquela concentração de membros das parentelas da elite política revela o "aperto social" em que vivemos. A lógica do parentesco (afectiva), a lógica das relações cidadãos-Estado e a lógica das relações contratuais são coisas supostamente diferentes. Mas em todas as sociedades elas misturam-se e sobrepõem-se. Só que mais numas do que noutras. E a vigilância crítica dos cidadãos deve basear-se na tentativa de as separar, como condição da democracia. Historicamente isso tem sido difícil entre nós - e a triste constatação nada tem a ver com as competências, ou falta dela, das pessoas em causa.

mva | 11:19|