15.7.05
Naipaul e Rushdie.
Volto sempre aos mesmos escritores e este Verão não tem sido excepção. Tenho uma "coisa" com Naipaul e Rushdie. O cinismo desesperançado do primeiro e a inocência liberal-humanista do segundo, em vez de me afastarem, aproximam-me. Porque me reconheço justamente nesses dois pecadilhos. Ambos são "de origem" indiana. Naipaul nasceu numa família de origem indiana na Trinidad e Rushdie nasceu na Índia. Nenhum dos dois escritores (e antagonistas? Pressinto isso...) é, porém, de nacionalidade indiana e ambos olham aquele país - assim como a Inglaterra e o "Ocidente" - com um olhar distanciado, traduzido, a partir das suas experiências de vida nos centros euro-americanos onde vivem e por onde circulam. Ambos têm consciência das suas identidades híbridas e traduzidas - e nisso me reconheço também. O último Naipaul, Magic Seeds, é de um encantador desencanto político; e os ensaios de Pisar o Risco, de Rushdie, são pérolas de democracia para os tempos que correm. E que bem escrevem, caramba: limpos, simples, irónicos e directos...
mva |
22:29| 
|