OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


29.6.05  

Do cheiro a bispo.

Dizem os bispos:

«... a Conferência Episcopal defende o direito de os pais intervirem na definição dos programas e na selecção dos professores que leccionem a disciplina, insurgindo-se contra as metodologias pedagógicas "que excitam a imaginação e exploram sensações de forma manipulatória". (DN, e seguintes)

Digo eu:

Hummm... Excitação da imaginação e exploração de sensações? Fátima? Milagres? Possessões? Exorcismos? Cilícios?

Dizem os bispos:

«..."os pais têm o direito e o dever de educar os filhos, inclusive no referente à sexualidade (...) O exercício desse direito-dever é anterior à intervenção de outras instituições, designadamente a escola." É a esta que "compete decidir as orientações educativas que deseja para os seus filhos, decorrentes dos seus valores, crenças e quadro cultural", sublinha-se.

Digo eu:

Portanto... a família sobrepõe-se à comunidade e ao Estado na escola, mesmo que obrigue uma filha a usar burka?

Dizem os bispos:

«..."tão-pouco se poderão considerar como padrão comportamentos evidenciados por minorias, tal como o que respeita às relações sexuais praticadas por adolescentes", acrescenta-se.»

Digo eu:

Ficamos a saber que os vinte e três adolescentes que praticam sexo merecem engravidar ou apanhar o VIH, porque tiveram culpa por não aderirem à imensa maioria que fez votos de abstinência.

Dizem os bispos:

«..."deturpa o sentido da sexualidade, isolando-a da dimensão do amor e dos valores, e abre caminho à vivência da liberdade sem responsabilidade (...) e à aceitação, por igual... manifestações da sexualidade, desde o auto-erotismo, à homossexualidade e às relações corporais sem dimensão espiritual porque o amor e o compromisso estão ausentes".»

Digo eu:

Hummm... o auto-erotismo e a homossexualidade dos sacerdotes da única confissão religiosa que proíbe o sexo ao seu clero são bons porque têm uma dimensão... espiritual?

mva | 14:31|
Comments:
Em que idade deixa o cidadame de ser filho de para ser o/a próprio/a?
 
Miguel, você está muito polêmico...

Quanto às "sensações de forma manipulatória" eu só posso entender isto como indução à masturbação, sei lá, atividades que incitem adolescentes a esfregarem-se. Diferente disso, nada é problema. É? Eu acho que não! Na dúvida, fico com a máxima: "não sei".

Desta polêmica a seguir, acho que merece uma nota:
Diz o bispo: «..."os pais têm o direito e o dever de educar os filhos, inclusive no referente à sexualidade
Diz você: Portanto... a família sobrepõe-se à comunidade e ao Estado na escola, mesmo que obrigue uma filha a usar burka?
Digo eu: A meu ver, certas questões são de domínio privado e do "fórum" íntimo, ou seja, estão inscritas na personalidade da pessoa e na forma como ela, particularmente, individualmente, lida com os problemas (ou as suas questões, como queiram os psicanalistas). Parece que a família cumpre este papel, de proporcionar um certo conforto ou, se se refere às burkas, um padrão de comportamento. Se estão sob a responsabilidade dos pais, a resposta e obrigação é dos pais. O que não impede que façamos campanhas de conscientização para que se aceitem certos traços da sexualidade na adolescência. Mas não dá para tratar adolescentes como se fossem adultos e, por dever, tudo precisassem saber, inclusive da própria conduta.
Creio que é preciso situar as ideias de nosso tempo na mente dos pais, mas certos ofícios da educação não é a escola que vai oferecer. É preciso base familiar. Pois, na falta dela, é pior.
 
Concordo com quase tudo miguel... mas acho que em termos de educação, e exceptuando algumas situações, a família deve ter a primazia sobre a comunidade e o estado. Até porque se a família pode obrigar uma jovem a usar burka tal não exclui que o estado e a comunidade também o façam, por vezes à revelia da vontade da família. E até dou um exemplo pessoal: quando o meu pai foi para a guerra na Guiné os meus avós não queriam que ele fosse, mas o Estado, esse monstro, obrigou o miúdo de 23 anos, acabado de sair da faculdade, a ir passear para o mato. Portanto, o estado e a comunidade, em matéria de educação cívica, não são entidades muito melhores que as famílias...
 
experiência
 
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