OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


16.5.05  

Homofobia/Lusofonia.

Leia-se e pasme-se. Trata-se de um artigo no AngoNotícias. Os mais ingénuos poderão pensar que quem sofreu ou sofre uma discriminação (por exemplo, "racial") fica, por isso, mais compreensivo face às discriminações sofridas por outros. Not!

Num dos filmes (sobre os ataques a um Pride em Belgrado) que amanhã às 21h serão mostrados no Lg do Camões por ocasião do Dia Mundial contra a Homofobia, vê-se bem como o nacionalismo de direita é sempre homofóbico, baseando o seu "argumento" na excepcionalidade cultural (seriam outras culturas, "decadentes", "efeminadas", a tolerar a homossexualidade; a nossa, "pura" e "viril" não aceita isso).

Hoje mesmo, Graça Franco no Público ataca o manual de educação sexual proposto pela APF referindo, como quem não quer a coisa, que foi adaptado de um manual espanhol. O "sentimento anti-espanhol" será profusamente aproveitado no backlash homofóbico que se aproxima na nossa sociedade.

Também sabemos das histórias de puritanismo sexual associadas a muitas esquerdas, "revolucionários" e movimentos de "libertação". Em África - para voltar ao início do post - tudo isto é acrescido de um excepcionalismo de tons essencialistas e generalizantes (A África): a África e os africanos seriam culturalmente (racialmente?) incompatíveis com a homossexualidade; esta seria o resultado da influência decandentista dos colonizadores, um vírus a exterminar. Não é apenas Mugabe, o ditador e ex-libertador do Zimbabué que o diz. Pelos vistos, algum jornalismo angolano também.

PS: Obrigado pela dica e link, António.

mva | 17:43|