5.2.05
Uma tanga no pântano.
A armadilha da Grande Reportagem/DN a Louçã; um apelo de César das Neves e muchachos no Expresso ao voto em partidos que defendem a família tradicional (sem qualquer publicação de apelos simétricos feitos, e enviados para os jornais, pelo movimento lgbt); a beatificação e lavagem de Santana pós-debate pela maioria dos jornais... Tudo isto até é bom, se calhar. Será sinal de um lento processo de espanholização da nossa sociedade, i.e., de criação de uma clivagem entre dois campos, algo que não acontece desde o 25 de Abril? Espero que sim, porque isso é necessário, para contrapor ao pântano dos consensos moles. Mas temo que a realidade seja outra: todas estas clivagens partem de posicionamentos conservadores. O nosso problema é a concentração dos meios de comunicação nas mãos de sectores empresariais em Portugal ocupados por obscurantistas e não por uma burguesia liberal. Em Portugal, o jornal mais à "esquerda" é o Público (!). Por cá não temos nem El País, nem La Vanguardia, nem Libération, nem Guardian. Não há veículo nem sequer para um pensamento próximo do PS... E no meio deste cenário, a direita ainda consegue fazer passar a mensagem de que existe um "politicamente correcto" dominante, de que "a esquerda" domina o espaço público e de que as mensagens conservadoras e reaccionárias são uma forma "alternativa", "resistente", "rebelde" ou contra-corrente" de pensar. Orwell puro.
mva |
17:56| 
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