OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


28.1.05  

OK, já chega. Já ninguém está a achar graça.

Já chega mesmo. O episódio Louçã/Portas continua a dar que falar. Isto é, continuam a fazer com que dê de falar. A epítome da paranóia é o artigo de hoje de Pulido Valente no Público (para quê linkar?). De repente, é como se vivessemos num país onde não há a vergonha de ter tido (e ter!) Santana Lopes como primeiro-ministro; onde não há a vergonha de ver a hipocrisia de Paulo Portas ser premiada; onde não há a vergonha de se terem perdido milhares e milhares de empregos, de as mulheres irem a tribunal por abortarem, de ter tropas no Iraque, de premiar, com lugares políticos, homófobos como Villas-Boas, de, de, de.

Qualque reacção crítica ou autocrítica de esquerda à frase de Louçã foi já esmagadoramente ultrapassada e diminuída por um aproveitamento especulativo por parte quer da direita, quer de jornais e TVs interessadas em promover o mais velho desporto português: descobrir nas pessoas que se respeita (ou em relação às quais existe uma aura de respeito ou algo de ligeiramente diferente do pântano) que "afinal são como eu". Já chega, OK, já percebemos que querem ter carta branca para serem contraditórios e hipócritas sem qualquer entrave de consciência. Já chega: agora vão prá cama ou amanhã não há sobremesa.

mva | 18:44|