28.1.05
O taxista de ontem.
«Isto é que está um frio. Ainda sinto mais porque ontem voltei do calor. Estive no Recife. Gosto do calor húmido. Não tarda nada volto para lá de vez. Agora é só vender este carro, lá para meados de Fevereiro e vou-me embora. Tenho uma empresa de aluguer de carros lá, uma casa na praia e um apartamento na cidade. É claro, aquilo lá é preciso é ter cuidado, o senhor sabe como é que são os brasileiros, um tipo tem que estar sempre a desconfiar. Ainda agora estive lá a judar uns portugueses que se querem instalar e não sabem mexer os cordelinhos. Mas quando vivi no Rio ainda era pior, eu cá não andava com o BMW na rua para não dar nas vistas, mais vale ter luxo em casa mas não mostrar nada na rua. Por causa dos sequestros, tá claro. Mas agora vou de vez. O que eu quero é ganhar dinheiro. Já 'tive para ir antes, mas a minha primeira mulher morreu e depois os meus sogros quiseram a custódia do meu filho e já se sabe como a justiça portuguesa é rápida: tive que esperar dois anos, para ficar com a custódia do miúdo. E agora já tenho outro, que é brasileiro, casei-me com uma brasileira. Ela até nem quer voltar para lá, diz que aqui é mais seguro e até gosta do frio, veja lá. Mas a gente vai, ai vai. Aquilo é uma maravilha, dá pra fazer muito dinheiro e eu quero é fazer dinheiro. Tive que resolver um problema com um sócio, que fez assim umas... argoladas. Desde que um tipo tenha cuidado... Aquilo há muita aldrabice por lá e depois há as gajas... Mas como eu costumo dizer, tirei o curso e até já fiz a especialidade, agora não me interessa mais, já vi tudo... E pronto, com cuidadinho faz-se um pipo de massa. É claro, se me sequestrarem ou a um dos meus filhos, a gente vem-se logo embora.»
mva |
13:57| 
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