OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


8.1.05  

Invicta.

«O que mais incomoda no episódio é a persistência de uma visão saloia e paroquial sobre o Porto e os seus eleitores, que os confina a um estatuto de adoradores da bola e seguidores acéfalos de um competente dirigente desportivo. Sabe-se que essa visão preconceituosa existe em vários círculos (nas universidades, nos clubes de futebol ou na pequena política), mas que seja assumida e aplicada como estratégia eleitoral por Santana Lopes é um absurdo que só prova o desnorte no PSD.
Para uma grande parte dos habitantes do Porto, mesmo para os adeptos do FC Porto, a preocupação subliminar que motivou a escolha de Pôncio Monteiro só pode ser lida como um atestado de menoridade cívica e política. Porque o que Santana sugeriu com o convite a uma personalidade que deve a sua relevância pública à defesa do FC Porto, e ainda por cima num quadro de conflito entre Pinto da Costa e Rui Rio, é que os portuenses são uma espécie de irredutíveis gauleses que colocam a paixão clubística acima de qualquer valor.
»

Esperemos que, a 20 de Fevereiro, o círculo eleitoral do Porto dê uma lição à santanagem. Também se marcam golos nas urnas.

mva | 11:37|