OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


11.1.05  

A estratégia blah.

Quando se lançou, também com o apoio do PS, uma petição para a realização de um novo referendo sobre a IVG, estava-se em pleno governo Durão Barroso. Imaginava-se uma longa legislatura barrosista e não se antevia a longa marcha, perdão, a rápida fuga, do líder. O novo referendo era a opção possível - e em teoria aceitável por sectores mais vastos da sociedade - para alterar a situação sem esperar por uma nova legislatura. E, de qualquer modo, a petição era uma forma de manter o assunto do aborto na frente da política.

Mas quando tudo indica que o PS vai ganhar as eleições, propor um novo referendo é sinal de medo. Um PS digno desse nome deveria apresentar ao eleitorado a proposta de legislar a despenalização do aborto, no Parlamento e através da sua maioria. Ao não fazê-lo, Sócrates está a dizer que tanto lhe faz qual seja o resultado do novo referendo, isto é, que o seu partido não defende convictamente a despenalização.

Não se trata apenas de uma questão de diferentes correntes dentro do PS ou de um acordo com os sectores ICARísticos. Trata-se da pior pecha do PS português: a obsessão com a conquista do eleitorado conservador ou simplesmente blah, aquele a quem tanto dá votar PS ou PSD.

mva | 13:19|