OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


30.11.04  

E agora, Sampaio?

Extractos da comunicação do PR ao País em 9 Julho 2004:

«Tenho reafirmado, ao longo dos meus dois mandatos, a importância da estabilidade política enquanto factor de desenvolvimento nacional e de regular funcionamento das instituições democráticas.»

«Desde que o Governo saído das eleições parlamentares continue a dispor de consistência, vontade e legitimidade políticas...»

«... a actual maioria garantiu-me poder constituir um novo Governo, que permita dar continuidade e cumprir o Programa do anterior; e que essa maioria se comprometeu assegurar, até ao final da legislatura, o mesmo apoio que deu ao governo cessante.»

«...tem de ser rigorosamente respeitada a continuidade das políticas essenciais ? repito, a Europa, a política externa, a defesa, a justiça, bem como as políticas de consolidação orçamental. Fique claro que é por estas vias de continuidade e pelo rigor indispensável que passarão os critérios permanentes da minha avaliação das condições de manutenção da estabilidade governamental.»

«Não posso ignorar que as exigências da nossa situação económica e financeira, com uma retoma ainda incipiente, uma consolidação orçamental longe de estar garantida e uma situação social particularmente gravosa, me aconselham também este caminho.»

Isto foi, em essência, o que Sampaio disse em 9 de Julho. Depois, tem vindo a acontecer o que todos sabemos: a vergonha de ter um governo dirigido por dois populistas incompetentes, fazedores de trapalhadas governativas que levam o país para a mais profunda instabilidade e para uma reacção negativa que engloba até sectores próximos do governo. Há quase trinta anos que não se via o país tão mal tratado; nem o populismo anti-política e anti-políticos tão bem servido por quem está - com fraquíssima legitimidade e ainda menos competência - no governo.

Perante isto, que faz o nosso "garante do regular funcionamento das instituições" e fã número 1 da "estabilidade"?

mva | 15:29|