OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


1.9.04  

Tétéologia.

Ontem, dois debates sobre aborto em simultâneo em dois canais. Ficámos a saber que Zita Seabra descobriu o cabeleireiro. Ficámos também a saber, graças a esta senhora que não sabe nada de coisa nenhuma mas mesmo assim é convidada para um debate, que é nos cabeleireiros que se toma o pulso ao país e não através da investigação. Porque é que ela não regressa à clandestinidade? Podia ir sossegada, se antes tirasse um curso de cabeleireira.

Agora a sério: Manuela Tavares e Helena Pinto confirmaram que existe (ainda ou já) feminismo em Portugal. Pedro Vasconcelos voou para lá da imagem comum dos académicos na TV e irritou-se como qualquer pessoas de bom senso se irritaria. Nomeadamente com a Senhora Dona Tété, das Mulheres em Acção, cujas ideias perversamente confusas de caridade e castigo, constituem uma verdadeira Tétéologia. Helena Roseta deveria ser candidata a secretária-geral do PS. Num outro canal, passava uma reportagem sobre as Women on Waves na Polónia. Se a tivesse visto na época teria dito "em Portugal vai ser diferente". Não foi.

Quando fizemos a campanha para um novo referendo do aborto, não havia governo de um primeiro-ministro não eleito com prazo de validade garantido por um presidente da república que desprezou os eleitores. Agora o que é preciso é clarificação de promessas eleitorais para daqui a dois anos. Clarificação do PS, claro. Para que, se ganhar e se houver maioria de esquerda, mudar a lei de vez, perdida que foi a oportunidade por culpa de Guterres - o homem em quem não votarei para PR nem morto.


mva | 17:49|