| OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida |
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16.5.03 Li "Olhos de Cão" do (suponho) luso-norueguês Daniel Skramesto (o "a" tem uma bolinha por cima e lê-se "o", o "o" tem um traço por cima e lê-se como um o com trema...). Nos últimos tempos as editoras "conceituadas" começaram a prestar atenção à literatura de temática gay em português. O último que li dentro do género foi o excelente "Pode um Coração Imenso" de Frederico Lourenço, na Cotovia. Ambos os autores fazem o que lhes compete: escrever a partir das realidades que conhecem. Para nós - público e sociedade - é pena que os universos retratados sejam tão intelectuais e universitários, quando a orientação sexual é atravessada, entre outras coisas, pela classe (sim, há gays operários, rurais, pobres, and so on). Talvez menos conseguido de um outro ponto de vista que aprecio - uma novela com uma narrativa em que as personagens se apresentam complexas e sujeitas a mudanças -, "Olhos de Cão" foi, todavia, escrito com uma agilidade, veracidade e economia notáveis. Vale a pena, e "que mil ficções gay floresçam".
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