OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


31.8.07  

E pronto...





...acabou-se o que era doce.

mva | 18:13|


26.8.07  




Despedimo-nos de Eduardo Prado Coelho. Com justeza, o jornal onde escrevia classificou-o como intelectual público. Fazem falta pessoas assim. E o intelectual público não é uma figura do século XX, condenada ao desaparecimento no XXI, como alguns pensam. Nem tão-pouco alguém desatento às inovações, tensões e mudanças constantes - na sociedade e na academia. Fica aqui um exemplo, entre mil possíveis.

mva | 13:12|


24.8.07  

Literatura lgbt

De parabéns o suplemento Ípsilon do Público, com o dossiê de Isabel Coutinho sobre literatura lgbt. Embora na capa se fale do meu outing em vez do meu coming out (coisas bem diferentes), e seja referido como "sociólogo" (já estou habituado...), o que mais me perturbou foi a ausência de referências a Daniel Skramesto e, pelo menos, ao seu livro Olhos de Cão.

mva | 12:28|


23.8.07  

Correio da Manha

Este post do Renas é bem mais importante do que pode parecer à primeira leitura. É uma prova cabal da mentira propositada em jornalismo. No caso (e talvez não por acaso), no Correio da Manhã. (Nota: é importante abrir os links)

mva | 19:34|
 



Agosto em Portugal II

mva | 19:28|
 




Agosto em Portugal I

mva | 19:25|
 


Já faltou mais para a rentrée na vida real e adulta.

mva | 11:08|


22.8.07  

O relógio...

não pára. Um bocadinho assustador, mas...

mva | 12:35|


21.8.07  

A longa marcha

Hoje faz anos Jeff Stryker (google yourself...). E eu também.

mva | 12:51|
 

Transgenias há muitas

Transgénica mesmo é a forma como a maioria dos media portugueses - e muito pessoal político - tem tratado o caso do vandalismo numa plantação de milho no Algarve. Já serve para tudo, sobretudo para chicana. Entretanto, felizmente há quem não se fique pela espuma dos dias e vá ver melhor o que se passa naquela zona - por exemplo, a transgenia imobiliária, a transgenia ecológica, a transgenia paisagística, a transgenia do estado...

PS: Já agora, a minha posição sobre o "caso" coincide com esta.

mva | 12:37|


20.8.07  

Ilhéus

«Querer o casamento de homossexuais e tudo isso que o Governo socialista prepara, essas não são causas, são deboche, são degradação, é pôr termo aos valores que, nós, portugueses, a nossa alma nacional, tem desde o berço e que os nossos pais nos ensinaram». É claro que quem diz isto é Alberto João Jardim, o vencedor do prémio "Tipos destes é o preço que temos que pagar pela democracia". Mas é curioso ver como ele está a falar para um público que não existe tanto quanto ele pensa. Os "valores", a "alma nacional" e o "ensino dos pais" não têm a força e a aura dos puritanismos, dos nacionalismos bem interiorizados ou de machismos performativos. O catolicismo é vivido como um festival da eurovisão, excepto talvez para alguns membros da Opus; o nacionalismo é mais parolice saudosista do que acção; e o machismo é temperado por uma espécie de impotência generalizada, chorada ao colo de mães simbólicas. Nem sequer a sociologia do país ajuda: a família normativa não é a forma familiar maioritária. Jardim não assusta. O casamento vai avançar. O único senão é que vai avançar à portuguesa, pois aquela geral molenguice moral da direita, que irritaria qualquer fascista mais pró-activo, tem o seu reverso numa esquerda bechamel: pouco agressiva em relação à igreja tramontana, conivente com o nacionalismo do estado, quase insensível às questões de género e sexualidade. Direita e esquerda partilham o complexo de ilhéu: sempre à roda da ilha, e com medo do mar.

mva | 12:46|


18.8.07  

O segredo

Fala-se muito de um livro chamado "O Segredo", o 3456º livro de auto-ajuda dos últimos 10 anos. Os convertidos demonstram um feroz desejo de "vencer". Passaram aparentemente por uma epifania optimista, cheia de "pensamentos positivos". Dir-se-ia pentecostais americanos assaltados pelo espírito santo. Não por acaso, numa entrevista de TV a alguns adeptos desta biblio-seita fica-se a perceber que esta religiosidade cai que nem ginjas a actividades comerciais, de convencimento e insistência. Um ar de anos cinquenta, casas de subúrbio e vendedores de porta a porta em fato em gravata permeia este universo. Joelhos ensanguentados e longas marchas pela estrada nacional ficam para a geração anterior ou para pessoas a quem ainda não foi revelada a auto-ajuda. Entretanto, numa praia, uma mulher de cinquenta e tais, recém-chegada às suas férias, cumprimenta o vendedor de jornais: "Então, lá se foi mais um ano". O optimismo do Segredo ainda não afectou toda a gente; sobrevive ainda o pessimismo irónico do velho mundo. Não é muito entusiasmante. Tem mesmo o seu quê de derrotista. Mas não envolve a intervenção de espíritos - da divindade ou do "pensamento positivo".

mva | 11:57|
 

Petro-socialismo

Parece que o plano de Hugo Chávez é o estabelecimento do socialismo do petróleo. Usar o dinheiro do petróleo para distribuir riqueza. Pequeno problema: quer isto dizer que só enquanto houver economia do petróleo (e "ecologia" do petróleo) é que haverá socialismo na Venezuela?

mva | 11:54|


17.8.07  

Venha o diabo e escolha

Centenas de pessoas são mortas a cada semana no Iraque. Entre as vítimas estão os Yazidi, que estão a ser literalmente massacrados. No Público diz-se que são mal vistos por muçulmanos e cristãos por adorarem Satã. Ora, dizer isto, assim, sem mais, é o mesmo que tomar por certa a ideia de muitos cristão de que a veneração de santos pelos católicos é uma forma de idolatria. Em tempos de suposto choque disto e daquilo - e em que a religião joga um papel fundamental - talvez fosse bom um jornalismo mais cuidadoso. Até a instável Wikipedia pode ser uma fonte útil para tirar dúvidas. É que a um mesmo nome nem sempre corresponde a mesma coisa: Satã é para os Yazidi - com crenças pré-cristãs e, logo, pré-muçulmanas - como que um arcanjo, antes de qualquer interpretação sobre a sua queda. Não tem o mesmo conteúdo que o Satã muçulmano ou cristão, logo... não é Satã nem tudo o que esta personagem significa para os cristãos e muçulmanos de hoje.

mva | 13:40|
 

Fora de estação

A obscenidade em torno do caso policial de uma criança desaparecida continua. Insinuam-se culpas sem qualquer pudor, mistura-se tudo com nacionalismos rasteiros e perde-se, claro, a medida e a proporção. Entretanto, uma revista semanal coloca na capa o anúncio da saída da Opus Dei de uma figura das finanças; e analisa, no artigo, a mudança de tipo de óculos pela mesma. Continua e adensa-se a telenovelização do capital. Por fim (?), Vasco Pulido Valente responde a uma resposta de Louçã a um artigo seu. Rapidamente estas polémicas perdem qualquer característica política. Passam depressa aos juízos de personalidade, de gostos. Deve ser por isso que o "Inimigo Público" não tem qualquer graça: já lá está toda na parte "séria" dos jornais. Há quem veja tudo isto como característico da silly season. Não me parece. Ou todas as seasons são agora silly ou há qualquer coisa de definitivamente fora de estação no nosso espaço público.

mva | 13:27|
 

[Pequena interrupção nas férias

À atenção de Pedro Correia (DN) e de Francisco Louçã (BE), aqui fica a reprodução do meu post sistematicamente citado de forma truncada ou mal interpretado: «Sá Fernandes e o Bloco fazem acordo com António Costa e o PS para Lisboa. Finalmente aconteceu algo de novo na política do burgo. Em princípio, promete. Parabéns expectantes. Não só pela maturidade que representa: contados o votos, negoceia-se (algo de bem diferente do "fundamentalismo cidadão" da candidatura de Helena Roseta). Mas também porque sou dos que acham que o destino natural do Bloco é o PS. Não este PS, mas um PS - e perdoem as imagens bélicas, sexuais e epidemiológicas - invadido, penetrado e contaminado pelo melhor do que o BE trouxe à política portuguesa.» A passagem a neGRITO faz toda a diferença, não é?]

Pronto. Regresso às férias. É cedo demais para tanta rentrée.

mva | 01:09|


15.8.07  

Terceiro mundo e meio

Se me perguntassem o que é que me envergonha mais no meu país, eu diria isto: o país da Europa a 15 com o maior fosso entre os mais ricos e os mais pobres. É também o país onde menos se investiu/gastou em serviços sociais. Dizia Sousa Tavares e com razão (ontem, numa TV) que em Pt nunca houve uma política social-democrata. Acrescento: nem por parte do partido que usurpa a designação, nem por parte do outro, que pertence à família social-democrata. Enquanto esta tendência terceiro-mundista se agrava, os media e a praça pública cada vez prestam mais atenção às disputas nas assembleias gerais e administrações de bancos privados (!). E aos rankings das fortunas nacionais. Faz lembrar os miseráveis aplaudindo um cortejo real. E sem rei nu.

mva | 10:34|


14.8.07  



Botânica erótico-rural


Curiosa, a planta no canteiro junto à parede da casa de uma amiga numa improvável aldeia do litoral ocidental do Algarve. Explicou-nos que os locais a apelidam - à planta, claro - de "consolo". Como não tinha máquina, fica o registo tosco de memória.

mva | 11:54|


13.8.07  



Agosto malacueco


Fiquei a saber pela f o que são, afinal, malacuecos. É uma palavra que me acompanhou durante anos, dita pelo meu pai. Ele usava a expressão para se referir - não sem algum classismo, reconheço... - o pessoal dos garrafões e arroz de frango em piqueniques de beira da estrada (bem, é classista mesmo...).

Agosto é o mês malacueco por excelência. Malacueco prime time. É também o mês do meu aniversário. Estas frases agora também foram classistas q.b., mas sobretudo falhou a sequência lógica. Mesmo assim, apesar destas ocasionais malaquequices da escrita e do pensamento (meus), o Arrastão escolheu este blog para blog da semana. Orgulho!

mva | 19:49|


12.8.07  

Acertar ao lado

A forma como os media em geral trataram do caso BES é um tanto surpreendente. O caso foi pegado pelo "ângulo" da "queixa" à Comissão Europeia, em si mesmo um mal-entendido, revelador de uma mentalidade do tipo "fazer queixa ao padrasto para ele vir dar um raspanete". Ora, aquilo que é relevante - e que o comunicado da Associação ILGA-Portugal diz claramente - é que ele demonstra como nem sequer a Lei das Uniões de Facto está a ser cumprida; e como a igualdade no acesso ao casamento civil é fundamental até para isso. A dúvida do BES quanto às "condições análogas às dos cônjuges" e o facto de o tribunal ter dado razão ao casal por o BES já ter antes concedido um empréstimo a um casal gay e não por não cumprir a lei das Uniões de Facto, mostram como é importante que a República decida de uma vez por todas se quer ou não a plena igualdade, desde logo (ou sobretudo...) simbólica. Está visto que só havendo igualdade no acesso ao casamento é que haverá igualdade também no usufruto das uniões de facto. Caso contrário, muitos bancos, tribunais e, aparentemente, jornais, continuarão a não perceber o que está verdadeiramente em causa e continuarão a reproduzir a ideia de que há qualquer coisa de bizarro e necessitando de explicação no facto de um casal de homens ou de mulheres poder querer ser tratado como casal.

mva | 12:10|


10.8.07  

Kucinich...

...é o meu candidato, segundo este sítio. A dica do sítio encontrei-a no Arrastão. Eis os resultados, com a lista dos assuntos que geram afastamento (quando chega às aventesmas republicanas já nem há lista de afastamentos, tal a distância...):

Kucinich 76 (you have no disagreements with this candidate). Gravel 66 (you have no disagreements with this candidate). Obama 35 Patriot Act, Border Fence, Iran Sanctions, Same-Sex Marriage. Edwards 33 Death Penalty, Patriot Act, Iran Sanctions, Iran - Military Action, Same-Sex Marriage. Clinton 30 Death Penalty, Patriot Act, Border Fence, Iran Sanctions, Iran - Military Action, Same-Sex Marriage. Richardson 29 Death Penalty, Assault Weapons Ban, Patriot Act, Iran Sanctions, Iran - Military Action, Same-Sex Marriage. Dodd 28 Death Penalty, Patriot Act, Border Fence, Iran Sanctions, Iran - Military Action. Biden 23 Death Penalty, Patriot Act, Border Fence, Iran Sanctions, Same-Sex Marriage. Paul 10 Abortion Rights, Embryonic Stem Cells, ANWR Drilling, Kyoto, Assault Weapons Ban, Guns - Background Checks, Border Fence, Minimum Wage Increase, Same-Sex Marriage, Universal Healthcare. Cox -28. McCain -28. Thompson -32. Giuliani -36. Brownback -40. Huckabee -60. Tancredo -61. Romney -68. Hunter -74.

"Estranha" mesmo é a distância enorme entre Kucinich - candidato sem chances e o mais ou menos com chances mas poucas Obama, com quem simpatizo...

mva | 19:35|


9.8.07  

«Pós-capitalismo:

Termo inventado nas primeiras décadas do século XXI para designar a simbiose entre o modelo de economia-política dominante e a forma cultural hegemónica. Crê-se que um dos primeiros prenúncios desta nova realidade tenha sido a produção de roupa com a etiqueta da marca no exterior, ao invés do interior. Também no campo das identidades colectivas, o que inicialmente parecia ser apenas uma forma de patrocínio dos clubes desportivos por parte de marcas comerciais, cedo se transformou no símbolo identitário principal - os adeptos da PT ou da Vodafone de hoje já não sabem os nomes dos antigos clubes que estiveram na sua origem. Os especialistas concordam, porém, que o processo pós-capitalista teve o seu auge em 2050 com a transformação dos Estados Unidos da América em USA, Inc.™ e a livre compra e venda de nacionalidade (...)» (in Dicionário das Ciências Sociais , Lisboa©:Editorial Sucesso, 2102)

mva | 19:55|
 

Nikehead

Estava a dormir, com a cabeça no colo da mãe. Quando chega a vez dela para ser atendida na secção de passaportes do Governo Civil, ele acorda estremunhado. Espreguiça-se. É adolescente. Tem o cabelo cortado muito curto. Noto uma daquelas "esculturas" no cabelo - que com certeza têm um nome técnico que desconheço. Presto atenção e vejo que a sua é... o logótipo da Nike. Acho bastante piada a estas "esculturas". Mas esta deixa-me em terreno ambíguo e mesmo paradoxal. Por um lado fica-se com a impressão de que o rapaz é mais um produto da marca. Por outro, há uma apropriação da mesma (e até do copyright...) por parte dele. Até o facto de se tratar de uma intervenção no corpo não tem apenas uma leitura. Por um lado ele inscreveu em si, no seu corpo, uma marca; mas, por outro, fê-lo no cabelo, algo que cresce, se corta e se modifica a qualquer momento. Bem-vindos ao pós-capitalismo.

mva | 11:55|


8.8.07  

Os três C

Como é possível que uma discoteca implantada no meio de uma zona residencial tenha licença de funcionamento até às 6 da manhã? É o que acontece na Zambujeira do Mar com um bar conhecido como "Sargo". Até àquela hora as casas tremem com os sons graves do bufta-bufta. É impossível dormir. E isto numa aldeia onde existe um espaço - onde funciona o Clube da Praia - na estrada de acesso, a menos de 500 metros da povoação, ideal para discotecas. Seria a solução perfeita, concentrar ali os estabelecimentos mais ruidosos, satisfazendo noctívagos e pessoas em busca de descanso. Alternativamente, pelo menos, porque não uma solução de compromisso, por exemplo com um encerramento mais cedo, às 2 a manhã?

O ano passado o Público falou sobre este caso. Os protestos são muitos. Mas confrontam-se sempre com sorrisos coniventes, à moda de caciquismos supostamente sul-americanos. Nada aconteceu. Os jornalistas têm aqui uma bela oportunidade para investigar sobre os três C do Portugal profundo: Compadrio, Clientelismo e Corrupção. É altura de confrontar, um ano depois, o Presidente da Câmara de Odemira, o da Junta de Freguesia da Zambujeira, o Ministério do Ambiente (lei do ruído, hello? Parque Natural do Sudoeste Alentejano, helllo?), e a GNR.

Chegando a manhã, a Zambujeira é uma calma. Os donos do Sargo e os seus utentes dormem. Ninguém perturba o seu sono e descanso.

mva | 21:18|
 

Agora já chega, 'tá bem?

Agora foi o editorial do mesmo DN. Vamos lá ver se nos entendemos: não se trata de defender a entrada ou diluição do Bloco no PS. Trata-se, sim, de dizer que as ideias trazidas pelo Bloco à política portuguesa podem (e a meu ver devem) penetrar o PS. Trata-se de dizer que o PS deveria ser (e não o é, neste momento, como aliás disse) o espaço político de recepção, assimilação, interiorização - de "normalização" - dessas ideias, sobretudo as que têm a ver com os direitos, com a igualdade, com a cidadania. Nunca defendi o desaparecimento do Bloco no PS. Nem enquanto "fundador" (quanta "gravidade" na expressão!, considerando que - apesar do orgulho que tenho em ter feito parte do grupo inicial do BE - não pertencia a nenhum dos partidos que constituíram o Bloco no início), nem agora que não tenho filiação partidária. Sempre defendi, sim, que em política as boas ideias não são propriedade de ninguém, e que não é pecado fazer alianças e participar de governos. Sá Fernandes, o Bloco e António Costa fizeram bem; a CML será certamente melhor.

Ficamos por aqui. Estou de férias...

mva | 10:48|


7.8.07  


Notícias do PREC, versão direita

«O movimento Política Operária, liderado pelo ex-comunista Francisco Martins Rodrigues, criticou violentamente o acordo entre o Bloco de Esquerda e o PS para a Câmara Municipal de Lisboa.» É o início de uma peça notavelmente longa, e com direito a foto, no Público de hoje. Longe de mim negar o interesse possível de opiniões minoritárias. Mas os leitores ficam sem saber que o referido movimento e o seu líder são praticamente a mesma coisa. Qual o interesse, então, da notícia? Fazer passar a ideia de que o Bloco perdeu uma suposta pureza "revolucionária". Isto é típico do novo PREC, o da direita. Num momento acusa-se um grupo de esquerda, neste caso o Bloco, de ser um bando de extremistas encapotados; no momento seguinte passa-se a mensagem de que não são fiéis à pureza. O PREC-D faz o mesmo, aliás, em relação a qualquer movimento "ameaçador": por exemplo, ora o movimento gay é um perigo para a estabilidade social, uma espécie de revolução de Outubro moral, ora é acusado de trair a revolução, querendo coisas "conservadoras" como a igualdade no acesso ao casamento civil.

PS: Eva Cabral e Pedro Correia, do DN, tiveram a gentileza de me citar. O que se publica nos blogues é obviamente citável. Mas já que se tratava de um assunto de política nacional não teria sido má ideia contactar-me, certo? Sobretudo porque a citação não corresponde ao espírito do post de onde é retirada e onde se pode ler "não este PS". Uma mini-frase que faz toda a diferença, não é?

mva | 11:37|


5.8.07  

"Rainbow" é o nome do novo pedaço de Portugal,

diz-nos o Público, ao referir a expansão das águas territoriais portuguesas.

mva | 12:24|


2.8.07  



1. Sempre na crista do lobby, perdão, da onda, o Renas e Veados ramificou-se também para aqui. Onde, aliás, e entre muitas outras coisas, se pode encontrar ligação para o divertido Rick and Steve (gay sem auto-humor não é gay nem é nada).

2. Sá Fernandes e o Bloco fazem acordo com António Costa e o PS para Lisboa. Finalmente aconteceu algo de novo na política do burgo. Em princípio, promete. Parabéns expectantes. Não só pela maturidade que representa: contados o votos, negoceia-se (algo de bem diferente do "fundamentalismo cidadão" da candidatura de Helena Roseta). Mas também porque sou dos que acham que o destino natural do Bloco é o PS. Não este PS, mas um PS - e perdoem as imagens bélicas, sexuais e epidemiológicas - invadido, penetrado e contaminado pelo melhor do que o BE trouxe à política portuguesa.

3. Cai uma ponte em Minneapolis. O departamento da Homeland Security (gozado no filme dos Simpsons como "hometown security") apressa-se a dizer que não se trata de um atentado terrorista. Quando se quer manter o estado de "guerra ao terror", é preciso manter o terror a funcionar; se este teima em não funcionar, tem pelo menos que se dizer que não houve terror... Esperam-se comunicados sobre cheias no Mississipi não provocadas pelo terror, surtos de cólera não provocados pelo terror e um furto de carteira de senhora num centro comercial de Poughkeepsie, N.Y. não provocado pelo terror.

mva | 10:51|


1.8.07  




Acaso

Passei pelo Google Books para procurar alguma coisa sobre preguiça do Albert Cossery. Não que goste do autor. Procurava preguiçosamente reflexões sobre preguiça. Em vez de uma passagem de algum livro seu, dei com uma lista de palavras-chave bem mais interessante. Em suma, procura-se uma citação de alguém e encontra-se poesia de ninguém:

«zeid, ton père, haga, long moment, mustapha, ton frère, hernie, derrière lui, cacahuètes, ses jambes, abou, eût dit, usine, mon fils, maïs»

mva | 11:12|