28.6.07
Notícias do papismo
Imagine que é árabe. E/ou muçulmano. E/ou que vive no Médio Oriente. Passou pela insanidade da guerra no Iraque. E agora dizem-lhe que Blair (curiosamente o mais recente convertido ao papismo), é o enviado da ONU para resolver o fulcro do conflito da região. Não acha que é assim como encomendar a César das Neves um estudo sobre a igualdade de direitos?
mva |
09:51| 
Do ranço ao arrivismo e de volta ao ranço
Este pode (sublinhe-se: pode) ser mais um exemplo do Ranço da universidade portuguesa. Mas o Ranço não é a única pecha. Há, no outro extremo (mas os ditos tocam-se, não é assim?) o Arrivismo: certos campos do "conhecimento" entraram na universidade há uns anos; hoje praticamente dominam algumas delas; e em breve transformá-las-ão em concessionárias de empresas, a julgar pelo discurso dominante. Daqui a 10 anos terão criado o seu próprio ranço, sob a forma de um discurso normativo e ideológico sobre o Mercado. Áreas do "conhecimento" que se calhar nem num Politécnico deveriam estar, mas sim em escolas técnico-profissionais. Sem demérito.
O que tanto as elites antigas como as elites novas não querem é conhecimento, cultura geral e pensamento crítico. Coisas de esquerdalhos, humanistas, gajas e maricas.
mva |
09:39| 
27.6.07
Doctor, I need a prescription
Estou a escrever pouco (no blog). Estou a subescrever. Pior é se é sintoma de estar a prescrever... (vade retro!)
mva |
18:50| 
25.6.07
Mais um belíssimo dispatch do Philip Graham, desta vez fazendo a analogia entre o salazarismo retratado no livro de História da sua filha e a situação da América bushita (bullshita?). E vendo em Portugal o que de melhor ele tem, ultrapassando o pessimismo nacional com o optimismo americano...
mva |
17:38| 
Blues do solstício
Que fazer quando se está numa fase de neura, não se vê perspectivas muito interessantes no futuro próximo e não se acredita nas seguintes vias: a) a via religiosa / new age/ "espiritual; b) a via psi; c) a via do excesso hedonista ("isso passa com farra"); d) a via ginásio, dieta, disciplina e outras mortificações? Há três vias com provas dadas no passado: 1) preguiça absoluta; 2)encasular no amor e na amizade; 3) fazer algo criativo/artístico. Infelizmente são as mais difíceis de "implementar" por razões de tempo e espaço.
mva |
11:28| 
O momento alto da marcha LGBT foi em frente a uma igreja do Chiado. Um noivo e uma noiva estavam a sair do seu casamento, quando foram surpreendidos pela marcha LGBT. Respondendo à palavra de ordem "nem menos, nem mais, direitos iguais!", os convidados deitaram arroz para os manifestantes e a noiva fez o sinal da vitória, com um grande sorriso na cara. À noite, o Arraial Pride encheu, encheu, encheu. Diz quem ficou, que eu tenho uma relação muito complicada com "música" bufta-bufta e excesso de decibéis.
mva |
11:22| 
22.6.07
É já amanhã o dia do orgulho em não ter vergonha
Começa com a Marcha (desta vez a partir do Príncipe Real, como a primeira). Segue-se o Agayal, desta vez no Terreiro do Paço (pela primeira vez, no centro nobre da cidade!). Venham daí exigir um país mais decente - e depois celebrar!
mva |
19:27| 
20.6.07
«Aberração é haver quem ache que precisa, para ser feliz, de fazer outros sofrer assim.» (artigo da f, a ler sem falta). Aliás, se invertermos os termos - se nos perguntarmos o que distingue hoje, social e legalmente, a categoria dos heterossexuais da dos homossexuais - percebemos que estamos perante um privilégio: o de ter mais escolhas (escolher casar ou não, conforme concordem ou não com a ideia de que o casamento tem um estatuto simbólico superior) e o privilégio de serem visto como as pessoas certas, em virtude dos seus sexos, para educar crianças.
Invertam-se os termos da questão e logo se percebe que estamos perante a iniquidade de um privilégio. E não estamos perante uma questão secundária, precisamente porque casar e adoptar mexem com a natureza mesma da discriminação sexual: questões de reconhecimento público da orientação sexual, questões de reprodução, questões de família.
mva |
08:30| 
19.6.07
Fetiche
Um país onde milhões de pessoas estacionam os carros nos passeios, ultrapassam os limites de velocidade, não pagam multas, entopem as ruas conduzindo carros sozinhas, acham que o carro dá estatuto, fazem do trânsito um dos principais assuntos da política, e morrem na estrada como tordos (e matam como assassinos). No entanto, é também o país onde mal sai uma lei obrigando ao uso de um colete fosforescente da cor do limão, toda a gente obedece. É um espectáculo: todos os dias se vê condutores alegre e entusiasticamente envergando os coletinhos mal têm um acidente ou o carro se avaria. Será uma "coisa" com uniformes? É que, se for, agradeço que digam. Largo já a universidade e abro uma sex shop de uniformes. Ficava mais tranquilo e, com certeza, mais rico. Além de que não há nada tão gratificante como dar prazer aos outros.
mva |
20:39| 
18.6.07
Dando uma entrevista videogravada no meu gabinete na faculdade. Interrompemos a gravação de 2 em 2 minutos. Literalmente. Por causa dos aviões. Será que o governo já decidiu para onde muda a cidade universitária? E o hospital de Stª Maria? E bairros atrás de bairros com dezenas de milhar de pessoas? Iremos para a Ota? Para Alcochete?
E a propósito de Alcochete: a ser escolhida esta localização para o novo aeroporto, como se chega lá? De carro? De autocarro? Sim, porque da última vez que olhei para um mapa não vi nenhuma linha de comboio ou metro para o campo de tiro.
mva |
18:21| 
16.6.07
8/80
De nada a isto, foi, para os media, o acontecimento do debate de ontem no Centro Comunitário Gay e Lésbico com as candidaturas à CML. Ainda bem.
mva |
10:19| 
15.6.07
Aerolisboa
Lamento, mas além de achar a solução Ota patética e as motivações de Alcochete duvidosas, não percebo o entusiasmo com a solução Portela+1. Não percebo como se pode defender um aeroporto na cidade e uma cidade sobrevoada diariamente por dezenas de aviões em aterragem e descolagem. Os defensores desta "solução" que venham passar um dia numa faculdade - ou num hospital - da cidade universitária para testemunharem o barulho e a sensação de que um dia um avião pode cair, justamente naqueles que são os momentos mais perigosos dos voos.
Há muito que Lisboa deveria ter um aeroporto fora da cidade. Mas nem a Ota nem Alcochete contemplam com clareza o óbvio: esse aeroporto deve ser servido por uma linha de metro ou de comboio, permitindo chegar ao aeroporto em 20 minutos, evitando o uso de carros (e táxis!) e não prejudicando muito as tão faladas "vantagens" turísticas de ter um aeroporto na cidade. A obsessão com a Ota por parte do governo já começava a raiar o ridículo - e o trágico. Mas a proposta da CIP para Alcochete padece do pior problema de todos: não se sabe quem a encomendou. Soa a golpe político por todos os lados. Entre a birra do governo e o secretismo da CIP (e do governo também? E de Cavaco?), continuamos com um aeroporto em plena cidade e com hipóteses de novo aeroporto que dependem de carros e autoestradas. Alguém está, definitivamente, a brincar connosco.
Ao mesmo tempo que, ali para Poceirão/Faia etc, há terrenos planos, uma linha de comboio suburbana ao lado, a auto-estrada que liga Lisboa a Espanha e a passagem prevista do TGV. A elite deste país adora tornar o simples em complicado. Pudera: é nesse movimento irracional que se geram os maiores lucros...
mva |
09:33| 
Velho como as casas
O programa, de 60 páginas, de António Costa, não tem UMA só referência à população LGBT.
mva |
09:31| 
13.6.07
Ah, os grandes homens de esquerda, humanistas e progressistas!
Como não leio o Expresso, nem dei por isto. Foi preciso um amigo brasileiro em Berlim falar-me da entrevista de José Mattoso em Abril:
«- Mas ainda se revê no partido? - Já não me revejo e não me sinto obrigado a ser um militante que apoia todas as suas iniciativas ou colabora nas suas estratégias ou orientações. Quando denuncia as coisas erradas estou com o Bloco, mas se resolve lutar pelo casamento entre homossexuais estou contra o Bloco.»
mva |
14:25| 
A parada de Sampa e Lisboa parada*
[Regresso de 3 dias em Berlim. Ainda a digerir uma experiência belíssima. Voltarei ao assunto]
A parada gay de São Paulo contou com mais de 3 milhões de pessoas. Quer isto dizer que o maior evento público gay do mundo "é lusófono". Será que o pessoal da Lusofonia - versão oficial - acha piada à ideia?
Entretanto, em Lesboa, o Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa recebe as candidaturas à Câmara para um debate sobre as suas propostas de política LGBT. Estarão presentes: Helena Roseta, Teresa Caeiro (CDS/Telmo Correia), Ana Sara Brito (PS/António Costa), Gabriela Seara (Carmona Rodrigues), Carlos Moura (CDU/Ruben Carvalho), Sérgio Vitorino (BE/Sá Fernandes), Nilza Sena (PSD/Fernando Negrão). Apareçam e perguntem, perguntem muito.
*Nem por isso: o Pride será este ano no Terreiro do Paço. Temos agora a responsabilidade de o encher.
mva |
13:54| 
8.6.07

Fora daqui, até terça.
mva |
12:27| 
Esperemos que corra bem; que agite as águas; que contribua para o "debate"; que diminua a invisibilidade e o silêncio. Mas lá bem no fundo, espero que a consagração da igualdade se faça por via política e não judicial.
mva |
10:13| 
Uff, não fui o único a reparar. Já estava a pensar que era enviesamento meu, por causa de ter trabalhado sobre 'raça', etc. O cartaz do PP para a CML parece um tratado sobre o fenómeno bem português da construção de um fenótipo a partir da classe. (Se calhar é por isso que as TVs têm tanto respeitinho)
mva |
10:05| 
6.6.07
A Europa, entre Bush e Putin
«Mr Putin may be paranoid. It is a long tradition among Russian leaders. He may be dictatorial and delusional, as with his weekend claim to be a "pure and absolute democrat" (though perhaps this was his idea of a joke). But when it comes to security issues, he has a point. Russia's development of a new generation of Star Wars-busting missiles, its growing disdain for the conventional forces and intermediate nuclear forces treaties, and now its threat to target European cities - probably rhetorical but still alarming - are contingent on the missed opportunity of 2001. Mr Putin's unassuaged fear of the west means the west must now fear him.» (Simon Tisdall, The Guardian)
mva |
09:00| 
Nada me move a favor de Mário Lino (era mesmo o que mais faltava) ou da trapalhada da Ota. Mas pareceu-me evidente que quando falou em "deserto" estava a referir-se à zona de Poceirão, não à Margem Sul do imaginário dos Grandes Lisboetas (os habitantes da Grande Lisboa...?). Politicamente desastroso? Claro que sim. Mas quem o "ouviu" dizer que a Margem Sul é um deserto não aproveitou apenas - politicamente - a tontice do ministro: não percebeu o que ele disse. Ontem houve um buzinão na ponte e cobertura televisiva por causa da iliteracia.
mva |
08:41| 
5.6.07
«(...) os homosexuais teem de lutar pela diferença nunca pela igualdade , eles sao diferentes , nem melhores nem piores , diferentes , logo nao casam , juntam-se para toda a vida ,uniao de facto gay , felicidade lesbica ,.... arranjem outro nome qualquer para a coisa , tenhao é vergonha na cara e deixem de tentar roubar o que não é vosso , nunca foi e nunca sera (...)». Este extraordinário comentário anónimo a um post do Kontratempos (e não me refiro à ortografia) tem o dom de dizer genuinamente o que muitos de nós têm tentado demonstrar ser a homofobia implícita de muitas posições dominantes no centrão político português: o "elogio da diferença" como maneira perversa de promover a desigualdade; e o direito ao casamento (para quem dele goste) como um privilégio de um grupo (e, simultanemanete, como forma de ditadura da maioria).
Às vezes a estupidez é uma forma de génio. Obrigado, anónimo.
mva |
18:12| 
Típico programa de debate na TV portuguesa: uma senhora com pose de ingénua e de voz do povo modera as vaidades engravatadas de senhores muito-muito importantes. A TV é mesmo uma janela para o mundo. Ou para a paróquia.
mva |
08:57| 
Ontem a minha professora de catalão propôs o seguinte tópico para a parte oral da aula: "Porque é que não há serviços sociais em Portugal? Tanta gente com ar miserável nas ruas... Talvez o Miguel saiba explicar". Fiquei bloqueado. O meu catalão não deve estar nada bom.
mva |
08:50| 
3.6.07
Eis um post que subscrevo. De facto, em Portugal há quem abuse do termo "liberal" para dizer, com ar moderno, coisas iliberais. O problema é quase sempre ignorância sociológica. Por exemplo, não perceber que a desigualdade com base na orientação sexual é algo de muito mais grave do uma mera questão de "escolha" ou "estilo de vida"; não perceber que é uma questão tão estrutural como a desigualdade de género. Em boa verdade, indissociável desta - para não dizer subjacente a ela.
mva |
17:34| 
Lá para Junhlho
Chegaram aqueles meses terríveis em que ninguém percebe ninguém. "Junho? Julho? Com nh ou com lh? Do 6 ou do 7?" Já era altura de acabarmos com isto. Não se conhece mais nenhuma língua, sobretudo românica, com esta confusão. Devíamos fazer um referendo para alterar isto de uma vez por todas. Sei lá: Juno e Julho, ou Junho e Júlio, ou Juno e Júlio. Ou mesmo Tico e Teco - qualquer coisa seria preferível.
PS - Dentro da mesma linha: a campanha de Negrão é tão pobre, tão pobre, que nem tiveram dinheiro para um revisor. O til está ao contrário nos cartazes. E a julgar pela tristeza dos mesmos, não é brincadeira gráfica.
mva |
10:47| 
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