Segundo o relato do Público, Sócrates foi - e ao contrário de Merkel! - contemporizador com Putin. Terá dito que ninguém tem que dar lições de moral a ninguém, sobretudo no campo dos direitos humanos, a que se referia. Putin, pelo contrário, terá sido "duro" afirmando que ninguém tem que se meter nos assuntos da Rússia. Sócrates concordou, portanto. E isto apenas dias depois da repressão escandalosa da manifestação pelos direitos humanos de gays e lésbicas na Rússia. Sócrates está-se nas tintas? Não sei - mas parece. E as aparências, nestas coisas da cultura de côrte, são tudo. Já para se mostrar a fazer jogging na praça Vermelha (oh, como é saudável e puro e energético e decidido!), todo o esquema comunicacional estava montado.
Eu até faria greve. Mas não estão as greves pensadas demasiado para o "9 às 5"? Que é que se faz quando se dá aulas à noite, depois das 21h, e para pessoas que de qualquer modo já terminaram o seu dia de trabalho (ou greve) antes de irem para a faculdade? E se fizer greve durante o dia, como demonstrá-lo? Dando o nome para a lista (quantitativa na informação tyransmitida ao Ministério, garantem-me) que o governo pede? Seja como for, este blog está em greve, sim, apesar deste post. Greve mental, afectiva. Porque se entrasse em greve real não conseguiria regressar de onde estou (Miranda do Douro, onde vim em trabalho) para Lisboa (suposto local de trabalho), onde poderia fazer greve. Eu até faria greve...
O Verão está quase aí. Para os gays que queiram ir de férias no estrangeiro - por exemplo, casais que queiram alugar um quarto de hotel - eis uma lista de sítios seriamente desaconselháveis:
A homossexualidade é punida com a pena de morte nos seguintes países: Mauritânia, Nigéria, Sudão, Afeganistão, Paquistão, Irão, Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Iémene.
Vários anos de prisão (até perpétua), trabalhos forçados e quejandos ou, em pouquíssimos casos (como Cabo Verde), multa, são as penas aplicadas nestes países: Argélia, Bahrain, Bangladesh, Birmânia/Myanmar, Botswana, Brunei, Burkina Faso, Burundi, Butão, Camarões, Egipto, Eritreia, Etiópia, Gâmbia, Guiana, Guiné-Conacri, Ilhas Cook, Ilhas Marshall, Ilhas Salomão, Índia, Jamaica, Kiribati, Kuwait, Líbano, Libéria, Líbia, Malásia, Maldivas, Mali, Maurícia, Marrocos, Moçambique, Nepal, Nicarágua, Niue, Omão, Palestina, Papua-Nova Guiné, Qatar, Quénia, Saint Lucia, Samoa Ocidental, Senegal, Singapura, Síria, Somália, Sri Lanka, Suazilândia, Tanzânia, Togo, Tokelau, Tonga, Trinidad e Tobago, Tunísia, Turquemenistão, Tuvalu, Uganda, Uzbequistão, Zâmbia, Zimbabué.
Alguns fizeram-me imensa pena, por serem países de que gostei muito ou onde gostaria de ir com tranquilidade: Moçambique, Trinidad, Marrocos, no primeiro caso; Índia, Tunísia, Egipto, Palestina, Síria, etc, no segundo.
Ratzinger, papa da Igreja Católia (lembrei-me dele porque se anuncia que vai receber os pais da criança desaparecida mais mediática) é uma figura assustadora. Veja-se no que assenta a "autoridade moral da instituição Igreja Católica - e sobretudo do seu dirigente - para tratar do assunto do abuso de crianças:
O número de casos de abuso sexual de menores por padres católicos nos EUA - casos revelados e muito falados nos últimos anos - é absolutamente assustador. Porque é maior ali do que noutros sítios? Não. Porque houve condições sociais para que as vítimas falassem do assunto. E em Portugal, por exemplo, haverá?
Sócrates vai à Rússia: «Os governos de Portugal e da Rússia assinam terça-feira, no Kremlin, uma acordo de cooperação judiciária de troca de políticas de investigação e de magistrados para o combate ao tráfico de droga e ao terrorismo. (...) Entre outras áreas, o acordo, ao qual a Lusa teve acesso, prevê também artigos sobre “garantia de defesa dos direitos das liberdades do homem, organização da actividade legislativa” dos dois países, “reformas no sistema penitenciário e cooperação judiciária internacional em matéria penal” e cooperação judiciária em matéria civil.» (Público)
Mas irá Sócrates dizer alguma coisa sobre isto?: «Riot police used violence to break up a gay rights demonstration in Moscow yesterday and arrested several European parliamentarians in what critics say is the latest violation of human rights in Russia. A group of gay rights activists came under attack from neo-Nazi thugs when they tried to present a petition asking Moscow's mayor, Yuri Luzhkov, to lift a ban on a Gay Pride parade. He has previously dubbed gay rallies "satanic". Witnesses said riot police watched as far-right skinheads chanting "death to homosexuals" beat up several activists.» (Guardian)
Na sua visita a Moscovo, Merkel admoestou Putin sobre a falta de direitos e liberdades na Rússia. Que fará Sócrates, "líder" da UE daqui a nada?
Cada vez mais lemos notícias destas. Agora é na Islândia, mas já as lemos referindo a Espanha, a Holanda, a Inglaterra, a Irlanda do Norte... O Instituto Nacional de Estatística não nos ajuda muito a perceber o que se passa com a emigração portuguesa, o seu aumento, o tipo de pessoas que emigra, em que condições, para onde, etc. Mas a percepção é de que uma espécie de Portugal empobrecido (ali, por trás das auto-estradas) anda a fugir a sete pés. De vez em quando chegam estas notícias mais chocantes, às vezes sobre situações próximas do indentured labour- o mesmo processo que no passado levou muitos portugueses para paragens remotas, onde foram percepcionados como "brancos de segunda". Os contratos temporários actuais são, é claro, outra coisa, mas, contas feitas, Portugal não anda a fornecer uma espécie de semi-escravos dos tempos modernos?
Seja como for, está na hora de nos começarem a explicar o que se passa - sistemicamente, para lá dos casos chocantes pontuais.
Está a tornar-se mais ou menos evidente que a Ota nunca vai acontecer. Curioso é saber como vai Sócrates gerir isso. Se o fizer da forma como tem gerido a comunicação com os eleitores e cidadãos noutros casos, a Ota poderá ser o seu golpe de misericórdia - em 2009 ou no mandato seguinte. Uma coisa já perdeu: algo de semelhante ao consenso sobre a obra e a sua localização, já para não falar de entusiasmo.
Ou será democrática? No telejornal da RTP 2, o líder do PNR foi entrevistado. Em estúdio. O que significa que foi convidado. Aliás, no fim, a locutora disse ter tido "muito gosto", ao agradecer-lhe a presença. Parabéns à RTP: acolheu o neo-fascismo no serviço público da democracia (provável justificação bonacheirona: "então, eles têm um partido legal..."). A personagem fascista - e só apanhei o fim - perorou sobre um tal de "lobby gay", sobre como proibiria as associações homossexuais, sobre como na comunicação social, nas novelas, nas escolas não se deveria apresentar o desvio e a anormalidade como se fossem normais. A personagem teve, é claro, o auto-controlo retórico para não incorrer em "apelo a crime de ódio". É simples: em vez de dizer "eu prenderia os homossexuais", basta falar em anormalidade e desvio, para que a bonacheirice nacional ache que está apenas a "emitir uma opinião". Daí a achar que há uma simples simetria entre homofobia e defesa dos direitos dos homossexuais (ou, noutras versões, entre os neo-fascistas e os partidos de "extrema"-esquerda) também vai normalmente um pequeno passo.
O meu apoio público a uma candidatura vale o que vale: pouco, mas qualquer coisinha. Por outro lado, tenho gosto em assumir compromissos cívicos e isso passa muitas vezes por subscrever candidaturas políticas. Acho que ficou também claro que gostei do facto de Helena Roseta se ter candidatado. Assim como me entusiasmei um pouco com a possibilidade de ela e Sá Fernandes poderem apresentar uma candidatura conjunta. O facto de isto não ter acontecido já foi uma desilusão. O nosso sistema de partidos políticos e, agora, o nosso para-sistema de independentes, deixam muito a desejar nas estratégias, tácticas e procedimentos. Por fim, foi ontem divulgada a lista de Helena Roseta, lista essa que me inspira desconfiança política. Sendo assim, não a apoiarei. Quanto à candidatura de Sá Fernandes, e apesar do trabalho meritório dele na denúncia da corrupção e decadência camarárias, e independentemente de eu ter saído há mais de um ano do Bloco de Esquerda, continuo a não me rever no projecto. Quanto ao PS e ao PC, a minha passagem pela Assembleia Municipal de Lisboa foi mais do que suficiente para perceber a conivência destes partidos com o "regime alfacinha". E as suas responsabilidades, sobretudo do PS, que agora destaca um comissário para a tomada da câmara pelo governo.
Votarei, com certeza. E apesar de ter sido pela primeira vez assaltado pela tentação do voto em branco, creio que acabarei por votar numa candidatura - em função dos programas de governo que venham a ser apresentados. Mas quanto a apoio público a uma delas, não obrigado. Nesta eleição, regresso à "cidadania de base"...
Por aqui prevê-se uma semana de baixa intensidade de postagem. Há alturas em que a frequência de onda da escrita de antropologia não pode ser contaminada pelo tom anarco-opinativo da blogagem. É o caso.
PS: bem-vind@s as pessoas que obtiveram a nacionalidade ontem. Enquanto for preciso obtê-la para se poder ter acesso aos direitos, assim seja, mesmo com o folclore nacionalista.
«Surpreendentes, contudo, são estas percentagens extraídas do Inquérito ao Emprego de 2005, agora divulgadas: 83,7 por cento da população empregada, com pelo menos um filho ou dependente a quem prestem cuidados, diz que não deseja alterar a sua vida profissional para poder dedicar mais tempo a cuidar deles.» (Público, hoje) Devem ser as mesmas pessoas que se babam horas a fio a ver "notícias" sobre uma menina desaparecida no Al(l)garve. Isto diz resmas de papel sobre a Criança como o grande fantasma e o grande fetiche da sociedade contemporânea.
1. «Um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário – que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto – à licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates.» A notícia já tem dias, mas coloco-a aqui porque me espanta que não tenha tido ainda grandes consequências. Para a criatura que defendeu a "honra" do Primeiro, claro.
2. Estamos, aliás, cheios de exemplos de pessoal político subsidiário e subserviente. Há dias ficámos a saber que Lisboa tem uma governadora-civil graças à trapalhada da data das eleições para a CML. Já agora, alguém me explica: para que serve um governador-civil? Deve haver uns 18, certo?, com edifícios, gabinetes, funcionários e toda a tralha da administração pública que tanto querem emagrecer. E provavelmente não fazendo nada que municípios e governo não pudessem fazer.
e mudança das mentalidades, e a classificar certas questões como fracturantes, o dia internacional de luta contra a homofobia (IDAHO) passou, curiosamente, ao lado, e sem que os media lhe prestassem atenção. No entanto, não só uma estrutura do Estado organizou, em conjunto com os movimentos sociais lgbt, um evento importante, como no Parlamento o assunto deu azo a um debate aceso. O que sobra para os jornais é o disparate demo-cristão. Entre nós até temos uma sociedade civil mais activa do que pensamos; movimentos sociais cosmopolitas e activos, ainda que com grandes dificuldades; um academia que já não é só poeira. O que nos falta mesmo - além de mais pessoal político de qualidade - é jornalismo de jeito (de causas, sim senhor, isto é, que não seja da causa dos que não querem causas).
«Foi preciso chegar ao fim da tarde e de muitas intervenções a pedir clarificação de princípios para ouvir Pires de Lima explicar a sua ideia - liberalismo económico, claro, mas também social, "menos Estado na vida privada de cada um". Não é o casamento ou a adopção de homossexuais, mas também não é a tolerância para com eles: é o reconhecimento da união de facto entre pessoas que escolham viver em comum.» Mais abaixo, e agora referindo-se a João Almeida, líder juvenil, a notícia continua: «Mas, questionado sobre o reconhecimento da união de facto de homossexuais, recua: "O partido não pode descaracterizar-se, senão deixa de ser democrata-cristão."».
Alguém anda muito baralhado: as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente estão consagradas na lei portuguesa desde 2001. Uma lei que mesmo assim discrimina, pois proíbe a adopção pelos unidos de facto do mesmo sexo.
Divórcio simples não, é melhor uma coisa assim com um bocadinho mais de dificuldade, mas que não seja tão chato e difícil como é agora, tás a ver, e o casamento independentemente do sexo dos cônjuges não, é melhor uma coisa assim tipo o mesmo mas com outro nome, estão a ver, eh pá, não fractura tanto, não é tipo dois gajos de mão dada na rua, prontos, é uma coisa que eu não consigo, pá, e um cartaz contra a homofobia, sim, bestial, duas gajas a beijarem-se, ainda bem que não foi dois gajos, ficava assim meio, tás a ver, esquisito e há quem ache que mete nojo, não estão preparados, o pessoal não tá preparado, pá, é a cena das mentalidades, se calhar lá para 2009 isto já está cheio de mentalidades mudadas, não há cidadania, é como fazer um movimento de cidadania, assim para a câmara, é o máximo, mas isso de coligações não, depois se vê, cada um conta os tostões, depois se vê, depois se negoceia, entre os "independentes" e o gajo que o governo mandou, foram muita inteligentes em mandar aquele gajo, sim senhor, depois se negoceia, eh pá, é verdade, já encontraram a "menina"?, ou os malandros dos ingleses, - parece que os gajos andavam na troca de casais - os tipos continuam a dizer mal de nós, nós que até nem somos racistas, só deixámos lá ficar o cartaz do PNR por distracção, ou tolerância, é isso, tolerância, nós somos assim super-tolerantes mas não somos parvos, que isso dos paneleiros darem sangue é um ganda nojo, claro. Ai, ai. Eh pá, não sei, isto vai devagarinho, vai mansinho, o que é preciso é mudar as mentalidades, pá.
PS: Quanto à CML e face aos desenvolvimentos recentes, devo dizer que já estive mais longe de apelar ao voto em branco. Não há pachorra.
1. António Costa é ministro da Administração Interna e número 2 do governo. Este ministério tutela o Governo Civil de Lisboa. O Governo Civil de Lisboa marca as eleições para 1 de Julho. António Costa é enviado pelo primeiro-ministro, pelo governo e pelo seu partido para candidato à presidência da CML. A data de 1 de Julho prejudica objectivamente as candidaturas independentes. Nestas coisas não basta ser, é preciso parecer. E a própria designação do ministro para prtesidente da Câmara - ainda que legítima, e independentemente das qualidades do candidato - é aparelhismo no pior sentido do termo. Ainda não é desta que o PS me convence...
2. Os partidos de esquerda não souberam ou não quiseram fazer uma coligação. Se calhar, ainda bem, a julgar pelo que me lembro do PS e do PC quando passei pela Assembleia Municipal... No quadro actual, as candidaturas independentes têm um interesse acrescido. Sá Fernandes, cuja candidatura anterior não apoiei, demonstrou não ter caído no populismo de advogado de causas e cumpriu um papel importante na denúncia do estado do município. Tem agora, todavia, o peso do Bloco às costas.
3. Helena Roseta é sem dúvida a melhor surpresa da pré-campanha. E é a mais prejudicada pela data das eleições. Muitos de nós que, à esquerda, também estamos desiludidos com os partidos e os seus aparelhos, achamos que o ideal seria ela unir esforços com Sá Fernandes, construindo uma candidatura de equipa, sem aparelho partidário (curiosamente menos fundamental numa campanha que vai durar apenas uma semana) e virada para a cidadania deste município.
Bento 16 diz que acha bem excomungar os políticos que defendam o direito à escolha na questão do aborto. Tudo bem. É lá com ele. Mas justamente: é lá com ele(s). É um assunto que só diz respeito às pessoas que aderiram ao catolicismo. Por que carga de água é isto noticidado, nas TVs portuguesas, com a "normalidade" de uma coisa que afecta toda a gente?
Vejam (ouçam) como o Philip Graham divulga a música portuguesa que vai descobrindo durante a sua estadia em Lisboa. Também nas suas crónicas de Lisboa, que já referi antes, é toda uma outra forma de ver este sítio.
Este post não é uma declaração de apoio à candidatura. Pelo menos, ainda não. Mas gostei muito que Helena Roseta tivesse avançado. Infelizmente, em Lisboa não se pode contar com os partidos políticos. É terrível ter que dizer isto - pelo que significa em termos de falhanço absoluto por parte de instituições fundamentais em e para a democracia. "Dizer mal dos partidos" por dizer é uma acto que corre sempre o risco de se abeirar da demagogia populista. Infelizmente, eles prestam-se a isso. E em Lisboa nem a fantasiosa "pureza autárquica" do PC escapa.
Felizmente, em vez de o vazio que criaram com as suas asneiras e clientelismo ter levado ao surgimento de algum oportunista demagogo, levou ao surgimento de Roseta - alguém com honestidade, capacidade de compromisso e visão de cidade.
«A faixa etária que mais recorre ao automóvel nas suas deslocações diárias é a que vai dos 25 aos 34 anos. Em concreto, 68,7 por cento, conforme um estudo publicado recentemente pela Marktest.com e que teve por base 4248 entrevistas. A seguir vem o grupo dos 35 aos 44 anos, com uma percentagem igualmente elevada: 62,9 por cento. A tendência é os portugueses usarem menos o automóvel à medida que ficam mais velhos.» (Público)
Então, menin@s? As pernocas ainda funcionam e mesmo assim andam a contribuir para o aquecimento global? E a poluir o ar que tod@s respiramos? E a gastar os combustíveis fósseis? E a contribuir para as ditaduras do Médio Oriente? Tss, tss.
«You are a social liberal. Like all liberals, you believe in individual freedom as a central objective - but you believe that lack of economic opportunity, education, healthcare etc. can be just as damaging to liberty as can an oppressive state. As a result, social liberals are generally the most outspoken defenders of human rights and civil liberties, and combine this with support for a mixed economy, with an enabling state providing public services to ensure that people's social rights as well as their civil liberties are upheld.»
O resto ficou ordenado assim:
You are an ecologist or green. You are a social democrat. You are a classical socialist You adhere to the Third Way. You are an anarcho-communist You are a market liberal. You are a communist. You are an anarcho-capitalist You are a Christian democrat You are a libertarian conservative You are a fascist
Umas horas depois do desaparecimento de uma criança inglesa no Algarve, já estava ligado o piloto automático dos preconceitos e estereótipos inter-nacionais. Para muita opinião inglesa, a polícia portuguesa é pouco eficiente. Para muita opinião portuguesa, os pais não deviam ter deixado a criança sozinha. Um país underdeveloped tem com certeza intituições do Estado fracas e incapazes...; um país de gente fria e individualista tem com certeza pais desnaturados... É claro que a polícia portuguesa está a fazer exactamente o que a inglesa faria; e é claro que a distância entre o quarto da criança e o restaurante onde os pais tinham ido é a mesma que entre uma sala num r/c e um quarto num 1º andar numa vivenda. Mas isso não interessa para nada. Certo? Right?
Há com certeza histórias autorizadas da World Wide Web. Com inventores e fundadores (gajos, of course). Parece que a proposta (mas não sei se do nome da coisa) é de 1989. Não sei. Mas estava a ler um clássico da ficção científica feminista lésbica, The Female Man, de Joanna Russ, e às tantas dou com esta passagem: «There's no being out too late in Whileaway, or up too early, or in the wrong part of town, or unescorted. You cannot fall out of the kinship web and become sexual prey for strangers, for there is no prey and there are no strangers - the web is world-wide.» (negrito meu). O livro é de 1975. Se calhar algum geek cientista lia ficção científica (feminista!, lésbica!, for www's sake!) às escondidas...
é claro que o facto de os Nazis terem promovido um determinado tipo e modo de antitabagismo não significa necessariamente que haja algo de "nazi" nos vários tipos e modos de antitabagismo contemporâneo. Mesmo assim, isto tem graça, prontoS (como grafaria uma querida antitabágica):
«A wealth of overlooked yet frightening literature concerning the Nazi crusade against smoking provides a clear parallel to contemporary developments and an alarming warning that state restriction of personal habits is the pre-cursor to dictatorship. Beginning in the early 1930's, as part of the Nazi agenda for racial purity, Hitler spearheaded a national campaign to ban smoking in all public buildings, and denounced the practice as a betrayal of the fascist drive for bodily purity (...)» (o resto aqui)
Claro que se deve proibir o fumo nos espaços públicos fechados. Mas se uma proibição destas se aplicar de forma cega e inflexível, fica aberto o caminho para o moralismo fascizante. Acreditem que sei do que falo - como o sabem todas as pessoas que já tenham passado uns tempos nos EUA, por exemplo. Qual a flexibilidade possível, então? Desde logo, nos espaços de diversão que, tal como em Espanha, devem poder ser eles a escolher se permitem ou não fumar, se querem ou não ter zona de fumadores e de não fumadores. Em segundo lugar, nos espaços semi-privados dentro de espaços públicos há (deve haver) margem de manobra: por exemplo, não há razão para não ser possível fumar num escritório, fechado, ocupado por um ou dois fumadores, dentro duma empresa; assim como não há razão para que todo um hotel seja não-fumador; ou para que seja proibido fumar num prédio inteiro, quando se aluga um apartamento. Etc. Estabelecido o princípio geral da proibição de fumar em locais públicos fechados, deixe-se depois funcionar a negociação de interesses. No caso dos estabelecimentos de diversão, deixem o mercado funcionar (e esta, hein?); no caso dos locais de trabalho, deixem a negociação de proximidade (a democracia?)funcionar.
Obrigado por ter regressado. Não pudémos, todavia, deixar de notar que não se demitiu. Por estranho que pareça - e não sem uma dose de perversidade - chegámos a apreciar o gesto: a bofetada de luva branca no PSD traz cor e salero à nossa municipal política.