OS TEMPOS QUE CORREM. Miguel Vale de Almeida


6.5.06  



Triagem

A distância..., bem, distancia. Sobretudo esta coisa da política de todos os dias em Portugal, tal como filtrada por jornais e televisões, e que só se aguenta como tópico válido de discussão porque, quando na mátria, todos os dias se fala com outras pessoas envolvidas no mesmo mundo de referências. É assim como ser parte duma família que todos os dias vê a mesma telenovela. Mas quando se está fora um bocado, e apenas se acede a essa "comunidade imaginada", como diria o outro, através da net, começa-se a perceber o absurdo da coisa. Coisas importantes e coisas triviais misturam-se: umas tricas no CDS, uma birra de Freitas do Amaral - pormenores tontos duma política tonta - misturam-se alegremente com o caso do assassinato de Gisberta, com a irresponsabilidade ideológica (!) da política de natalidade do governo - casos que "falam bem mais fundo" sobre o país que queremos ou não queremos fazer. No meio disto - do panorama merdiático - habituei-me a procurar três jornalistas (e não importa se concordo sempre ou não com o que dizem) que estão atentas, têm o espírito crítico como segunda natureza, e escrevem bem: São José Almeida, Ana Sá Lopes e Fernanda Câncio. Enquanto elas escreverem, a coisa vai, porque haverá alguém que percebe o que é o trigo e o que é o joio. Devagarinho, mas vai.

mva | 16:09|